A procissão de São Martino
Coluna Cheguei. E agora?

A procissão de São Martino

Larissa Larissa da Costa
10 de novembro de 2017
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Se há uma tradição na Alemanha da qual eu não gosto nem um pouco é a tal da „Laterneumzug ou Lichterfest“, explicando: uma procissão para crianças feita no final da tarde, quando já está escuro, com lampiões em homenagem a São Martino, que foi um soldado do exército romano, que, no final de uma guerra, apiedando-se dos pobres, cortou seu manto e distribuiu aos necessitados.

O motivo do festejo é maravilhoso, e, teoricamente, a comemoração em si é linda: crianças fazendo uma procissão no final da tarde, escuro, com seus lampiões feitos a mão, seguindo um cavaleiro vestido de soldado romano (representando São Martino) e cantando canções em homenagem ao santo.

A realidade, porém, é outra.

Note-se que nessa época do ano no hemisfério norte já é bastante frio. A partir das cinco da tarde já é noite cerrada e o frio aumenta. E é justo nessa hora que a procissão começa.

Os preparativos para o festejo, entretanto, já tem início muito antes, com a confecção do lampião. Sim, há lampiões prontos para se comprar, mas os alemães dão muito valor as coisas feitas à mão, portanto, lá vão as mães fazer os tais lampiões. Claro que sempre sobra para as mães, porque as crianças lá pelas tantas ou não conseguem colar os elementos do lampião ou já encheram o saco e foram fazer outra coisa.

As crianças ficam ensaiando as musiquinhas vários dias antes da procissão. Ok, fora o fato de você ficar com a melodia na cabeça, essa parte é bonitinha.

Então chega o tão esperado dia: a procissão de São Martino, a caminhada com os lampiões no escuro. Encontro normalmente às cinco da tarde na frente de uma igreja ou da escolinha. Se houver um cavaleiro, ele se posiciona na frente do grupo, professoras e coordenadoras do festejo atrás, cantando as músicas, a criançada com os pais atrás.

O cortejo começa a andar. O cavaleiro, naturalmente, anda rápido demais para os pequenos e após alguns minutos já não consegue mais ser visto por aqueles que não estão na dianteira.

As crianças, depois de um curto período de admiração do seu lampião, começam a brincar com o mesmo, agitá-lo no ar muito rápido, ou a correr, ou bater no lampião do amiguinho. Pode acontecer de ele se romper facilmente, já que é feito de papel manteiga, e aí, ou a criança chora, ou já quer tirar o lampião da varinha e brincar só com a luzinha que está ali para iluminar o caminho.

Passada a euforia inicial, as crianças pequenas começam a ficar cansadas, choramingam, não querem mais andar. As grandes começam a sentir frio, as mãos ficam frias, vestem-se as luvas, para, ajeita a criança, acomoda tudo.

E a procissão segue. Nunca vou entender porque fazem um trajeto tão longo para os pequenos. Nessa altura, você já não vê o cavaleiro há muito tempo. Cantar as canções nem pensar, porque com o balburdio da criançada ninguém ouve as professoras lá na frente. E você tem que continuar caminhando com o frio e crianças cansadas e aborrecidas.

Enfim, uma tradição da cultura alemã, e, apesar de eu achar cansativo, o que não se faz pela felicidade de um filho?

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Larissa da Costa
Larissa da Costa
Autor
Vim para a Alemanha em 2002 aventurar-me em terras desconhecidas e a maior delas tornou-se a maternidade, quando, em 2010 virei mãe de um menino e em 2013 de uma menina. Mantenho um blog próprio chamado brasanha.de aonde narro minhas experiências aqui na Alemanha.

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