Uma reflexão: por que as mães modernas necessitam de tempo livre
Coluna Cheguei. E agora?

Uma reflexão: por que as mães modernas necessitam de tempo livre

Larissa Larissa da Costa
27 de setembro de 2017
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Férias de verão, 6 semanas com as crianças sob os meus cuidados, nas duas últimas, contando desesperadamente os dias para o começo das aulas. Crianças entediadas, almoço para cozinhar todos os dias, achar programação: encontro com amigos, piscina, lago, parquinho, passeio, e, apesar de termos um pátio e muitos brinquedos, as crianças insistem em brincar dentro de casa e ficar chamando pela mãe a todo o momento.

Eu já com os nervos à flor da pele, irritada com toda a situação, por sorte chega a minha mãe para dar uma ajuda e evitar que eu tivesse um pirepaque. Mas porque me senti assim? Porque fiquei tão irritadiça em tomar conta 24 horas por dia durante 6 semanas dos meus filhos? Porque sinto essa necessidade enorme de ter tempo para mim e fazer as minhas coisas?

Conversando sobre o assunto com um brasileiro de meia idade, que estava de passagem pela Alemanha ele disse o seguinte: "nos dias de hoje exige-se muito mais da mulher. Ela, além de ser mãe e esposa, tem que ser ótima profissional, tem que dar conta da casa, filhos e marido, além de cuidar da beleza e fazer esporte. Na minha época, as exigências não eram tantas, além de se contar permanentemente com serviçais."

Concordo com as exigências modernas, mas minha mãe não contou permanentemente com serviçais, porque nunca teve a sorte de encontrar empregadas domesticas "para a vida toda", uma daquelas que, antigamente abdicava da vida privada e morava com a família para a qual trabalhava. Minha mãe sempre trabalhou como professora, e, morando numa cidade do interior do Rio Grande do Sul no começo dos anos 80, não havia escolinha em tempo integral. Mesmo assim minha mãe não reclamava da vida, trabalhar e cuidar dos filhos, me parece, que a satisfaziam.

E é essa a grande diferença, a minha geração não se satisfaz mais somente com carreira e família, ela tornou-se egoísta e individualista. Queremos além disso, viajar, aproveitar a vida, desfrutar da nossa liberdade. O mundo tornou-se pequeno, as facilidades de viajar, fazer intercâmbio, viver no exterior trabalhando ou estudando, apelam para arriscar-se em novas aventuras. A nossa geração não quer saber de construir patrimônio e viver sempre no mesmo lugar, quer conhecer o mundo, viver experiências, aproveitar a vida, e, se calhar, ter filhos.

Ter filhos é, cada vez menos, uma obrigação. Ainda há muita pressão da sociedade, mas os jovens casais parecem não mais se importar com as perguntas incessantes das mães, tias, avós e intrusos em geral. Fazem os seus próprios planos, curtem o quanto podem sua liberdade.

É dessa curtição plena da liberdade que, posteriormente, sentimos imensamente a falta. Não é que não gostemos do nosso novo papel de mãe, é que ansiamos por aquele tempo em que podíamos fazer aquilo que tínhamos vontade sem horário a cumprir e filhos demandando atenção.

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Larissa da Costa
Larissa da Costa
Autor
Vim para a Alemanha em 2002 aventurar-me em terras desconhecidas e a maior delas tornou-se a maternidade, quando, em 2010 virei mãe de um menino e em 2013 de uma menina.

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